Solenidade de S. Pedro e S. Paulo.

At 12,1-1 1
É uma reflexão pascal na qual o autor não emprega o termo Páscoa para designar a festa judaica da saída do Egito… para ele, Páscoa só pode ser a Páscoa da morte e ressurreição de Jesus; na narativa, a Páscoa ocorre somente a partir do v.6
Pedro faz o papel de Israel, da igreja judaica, ainda escrava (v. 5: lembrar que a saída do Egito é protótipo da libertação final (ver Is. 43,16ss.), pela qual a igreja judaica reza) e esse papael é decalcado sobre sucessivos aspectos da paixão-morte, e ressurreição de Jesus.

  • Jesus é preso por ocasião da festa dos Pães Ázimos – Pedro é preso nas mesmas circunstâncias.
  • Jesus é apresentado ao povo – o rei pretende apresentar Pedro ao povo
  • Jesus é julgado, condenado e morto, e sepultado – Pedro é colocado no cárcere-tumulo
  • Jesus – seu tumulo é vigiado pelos guardas – Pedro – cárcere – tumulo –é vigiado pelos guardas
  • Jesus – Pedro: quatro piquetes de quatro soldados: as quatro vigílias da noite até o amanhecer.
  • Jesus foi apresentado ao povo – o rei pretende apresentar Pedro ao povo (depois da Páscoa?)
  • Jesus – enquanto está morto e sepultado – deserto – Pedro, fazendo o papel da igreja judaica que reza para que venha sua libertação final.
  • V. 6: Jesus está prestes a ressuscitar – Pedro continua presso e vigiado
  • V. 7ss.: sucessivas etapas da ressurreição apresentadas segundo os detalhes da ceia pascal em Ex. 12.
    Anjo do Senhor: isto é, o próprio Senhor
    Etapas:
  • o tumulo de Jesus é iluminado – fim das trevas – o cárcere de Pedro é imuminado – idem
  • tocar – despertar – levantar – depressa – cadeias (fim da escravidão) – cingir – sandálias – manto – seguir: Ex. 12
    V. 9: na dimensão espiritual-teológica o conhecimento lógico deixa de funcionar.
    V. 10: três momentos da saída: a saída do Egito – a chegada ao mar – a abertura do mar
  • Os dois primeiros foram tranquilos – mas o terceiro… o portão que dá para a liberdade, assim com aconteceu com o mar, abre-se por si mesmo: o Senhor é o senhor do caos.
    V. 11 relido: “Agora sei em verdade que o Senhor enviou seu Anjo e me livrou das mãos de Faraó e da expectativa do povo egípcio”.
  • Todos duvidam que Jesus esteja vivo – todos duvidam que Pedro tenha saído da prisão.
  • O fim da narrativa provavelmente visa indicar a morte de Pedro: “Depois saiu e foi para outro lugar”.

Sl 33(34),2-9 (Ri, 5) – 2Tm 4,6-8;17-18 – textos picados

Mt 16,13-19 / (Mc.8,27-30; Lc.9,18-21)

  • 13 Chegando Jesus ao território de Cesaréia de Filipe, perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14 Disseram: “Uns afirmam que é João Batista, outros que é Elias, outros, ainda, que é Jeremias ou um dos profetas”.
    As respostas são tipicamente judaicas; é assim que eles definiam a identidade de Jesus.
  • 15 Então lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16 Simão Pedro, respondendo, disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”.
    Mas a comunidade cristã, aqui representada, como de costume por Pedro, proclama a identidade de Jesus com o Messias, Filho de Davi, e Deus, Filho de deus, pela Ressurreição (Rm. 1)
  • 17 Jesus respondeu-lhe: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isto, e sim o meu Pai que esta nos céus.
    A proclamação é teológica, portanto, sua origem tem que ser divina… lembrem dos anjos no túmulo, que trazem dos céus, da teologia, a verdade: ele ressuscitou.
    A sequência é toda inspirada, baseada em Is. 22,15ss. Sobna (evoca algo redondo… por o Senhor vai fazê-lo rolar…) é administrador do palácio real, mas não pertence à Família real… presunçoramente, ele se prepara um tumulo no cemitério real, construído num rochedo : hebraico: sêla; grego: pétra; aramaico: cefas-kéfas… o profeta anuncia a demissão de Sobna, seu exílio, e a nomeação de um novo administrador.
  • 18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja,
    Pelo grego: pétra-pedro… sobre esta pédra-pedro edificarei minha igreja…, na pétra estava a Casa de Davi, que agora se torna a Igreja.
    O escolhido, Eliacim, em hebraico, El-iakim: literalmente: Deus suscita, estabelece.
    e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela.
    Diferentemente da Casa de Davi, histórica, que foi destruída, a Igreja, nova Casa de Deus, é erigida por Deus, com um adminsitrador por Ele escolhido.
  • 19 Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”
    Is. 22,22: “Porei sobre os seus ombros a chave da casa de Davi: quando ele abrir, ninguém fechará; quando ele fechar, ninguém abrirá: abrir: permitir; fechar: proibir. Ver Jo.20,22-23: “Dizendo isto, soprou sobre eles e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo. 23 Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais não perdoardes ser-lhes-ão retidos”.
  • 20 Em seguida proibiu severamente aos discípulos de falarem a alguém que ele era o Messias.
    Proibir de falar a respeito disso ou daquilo, várias ocasiões nos Evangelhos, quer dizer: tudo isso faz sentido quando vc sabe que o fim dos Evangelhos: paixão, morte e ressurreição é, de fato, o começo; sem o fim, vc não entenderá o começo nem o meio.
    O Pedro, figura corporativa, representa a nós todos, cristãos… se o texto acima exalta Pedro e o proclama ‘administrador’ da coletividade cristã, o texto seguinte (não deixe de lê-lo) mostra um outro Pedro, agora inteiramente negativo, isto é, as duas faces possíveis do cristão.

Comments

comments